Chumbo na tampa de embalagens de iogurtes

Ao analisar embalagens plásticas de 900 ml de três diferentes marcas de iogurte comercializadas nos supermercados de Campinas, o engenheiro de alimentos Paulo Henrique Massaharu Kiyataka percebeu que as tampas dos frascos dessas bebidas continham alta concentração de chumbo - os testes foram realizados no Centro de Tecnologia de Embalagem do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). As tampas, avaliou Kiyataka, não poderiam ser usadas. “Apesar de o contato entre a tampa e o alimento ser mínimo, não há como negar o risco de ocorrer a migração do chumbo para o iogurte, principalmente no manuseio. Um exemplo é o transporte deitado do produto ou estocado de ponta cabeça”, explicou.  Há mais de uma década que o engenheiro analisa embalagens alimentícias para verificar a presença de metais como chumbo, cádmio, mercúrio e arsênio na sua composição. Numa de suas experiências mais recentes, avaliou potes plásticos de 2 litros de sorvetes e embalagens de bebidas lácteas de 200 ml e 900 ml e constatou a presença de chumbo em alta concentração nessa última. Numa segunda etapa do trabalho, Kiytaka avaliou a migração desses elementos para os alimentos e verificou que  transferência do chumbo acima dos limites admitidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ocorria apenas nas tampas dos frascos de 900 ml de iogurte.  Para o engenheiro trata-se de uma falha da indústria de embalagens, da indústria de alimentos e do órgão fiscalizador, constatação que evidencia que o processo de fabricação precisa ser mais bem controlado. (Com informações do Jornal da Unicamp – 8.04.13)